Sul Africanos lutam contra frango brasileiro

A indústria avícola da África do Sul defende a aplicação de uma tarifa de 82% sobre a carne de frango importada. Alega que o produto barato, “principalmente o proveniente do Brasil”, prejudica a competitividade dos produtores sul-africanos.

O tema (recorrente na avicultura local; e não só em relação às exportações brasileiras) voltou a ser abordado no decorrer da semana passada em várias reportagens do diário sul-africano Business Day. Em uma delas a Associação de Avicultura da África do Sul (SAPA na sigla em inglês) observa que a elevação das tarifas de importação, “tanto para cortes, como para carne de frango desossada”, salvará milhares de empregos. Estima que, para cada 10 mil toneladas de produto importado são eliminados 1.069 empregos diretos e indiretos.

Disposta a aprofundar as discussões em torno do assunto, a SAPA contratou no mercado, para a chefia de seu Departamento de Frangos, Izaak Breitenbach, nome com experiência na indústria de rações e de processamento de oleaginosas, bem como na avicultura. E, na opinião de Breitenbach, elevar as tarifas de importação é ação que deve ser priorizada pelo governo da África do Sul, pois a taxação atual – de 32% para cortes com osso; de 12% para carne desossada – “continua sendo incapaz de conter a onda crescente de importações”.

O maior desafio enfrentado pelo setor vem do dumping enfrentado. Produtores do Brasil, por exemplo, têm incentivos fiscais para exportar. Além disso, preocupa a rastreabilidade das importações, pois parte delas são aqui reembaladas sem que os importadores respeitem as exigências legais”, afirma Breitenbach na reportagem do Business Day.

Ele também acrescenta que países como México, Japão e Coreia fixaram tarifas entre 109% e 193% para o produto importado do Brasil. E prossegue: “Outros países reconhecem ser injusta a concorrência das importações brasileiras. Na África do Sul, o principal impacto recai sobre a geração de empregos”.

Na opinião do dirigente da SAPA, a indústria avícola sul-africana é competitiva internacionalmente e só não exporta por enfrentar restrições de ordem fitossanitária. Ao mesmo tempo, porém, reconhece que o clima semiárido local pressiona a competitividade dos avicultores sul-africanos e que as secas elevam o custo da ração, exigindo a importação de grãos, que são caros”.

Acha que Moçambique deveria também lutar por medidas restritivas às importações para proteger a indústria nacional? Comente…

Fonte: Avisite

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